quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Circo


Independente das palavras que eu escolher, talvez seja melhor eu deixar claro o que eu quero que vocês entendam. Na verdade, mesmo sendo extremamente clara e direta, é obviamente capaz de boa parte de vocês não entenderem. Afinal de contas, o que é a sociedade atual sem a má interpretação? Nada em absoluto. Até porque, a sociedade depende de algo para falar e que graça tem falar de algo bom, algo “puro” e sem malicia? A tragédia, o drama e as mentiras contam uma história, ou melhor, uma versão da história melhor, com mais audiência, mais aplausos e mais ódio. A sociedade não parece repugnante?
Somos todos nós uns bandos de cópias e mesmo que tentemos ser diferente do comum, não desejamos ser autênticos demais, não podemos. Somos atados à imagem que nos vende... A imagem de “perfeição”. Não somente a imagem, mas o todo. O pensar, o agir... Discorde e tente sobreviver.
Que grande piada, não é mesmo? Uma babaquice sem tamanho. O quanto somos marionetes, somos bonecos, pamonhas. Somos surdos, mudos e muitas vezes cegos. Somos um nada. Somos arrogantes demais, autossuficientes demais... Ridículos demais.

domingo, 7 de outubro de 2012

Outro eu

   Foi-se o tempo em que ela podia apagar da memória tudo que a fazia estremecer. A memória dela hoje tem problema. Não consegue mais apagar, como se segurassem suas mãos enquanto ela se debate contra a pressão.
   Um grande suplício a amedronta. Dia após dia, o cansaço a ganha. Pesam vinte quilos cada pálpebra. A cabeça lateja. Dói. A paciência não existe. A cada centímetro algo desestabiliza. A perca do equilíbrio é iminente. Como andar em uma linha bamba. No chão, nunca de pé.
   Chamam de pessimismo, chamo de realidade. Dela e somente. Quem entenderia? Os momentos tão íntimos quanto seus pensamentos, os quais são particularmente impróprios e confusos. Digo isso, pois calculei e decifrei códigos. Gastei minutos de sensatez.
   Contudo, nada se desfaz. A cacofonia é uma dádiva. Vive lado a lado, assombra a vida de todas. A minha e a dela. A nossa. A sua e de todos. Uma miscelânea de is sem pontos. Rabisco, rasura e resenhas jogadas em bolas pela sala.
   Ela, a garota sem memória bate suas pernas ao ar. Ela coça a cabeça. Desesperada. Ela e ela. Nada pode salvá-la senão ela própria. Enquanto isso, só observaremos. Irei descobrir incógnitas e farei meu melhor para confortá-la, embora precise me focar tanto quanto ela própria.
   Ou será que ela própria não seria eu?

sábado, 6 de outubro de 2012

Faxina

Empoeirado o chão está
Cheio de fiapos
Levo minha vassoura lá e cá
Uso apenas trapos

Vaidade esquecida
Olheiras ressentidas
Espirro

Suspiro
Quilos a menos
Eu nada temo

Arranco meus fiapos
Cabelos ao chão estão
Queimo meus trapos
Congelo o coração

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nó de escoteiros

Não sentem nada.
Adormecidos na própria dormência.
Estão flutuando entre o zero e o infinito.

Nada se altera.
Coração bate. Inspira e expira.
Impassível.
Piadas sem sal,
romances sem mel.

Tanto faz.
Eles não sentem.
Eles se retorcem na cama.

Eles puxam os cabelos,
limpam o rosto inchado.
O lábio treme. Eles sentem medo,
medo eles tem. Estão no auge...

A bolha anda intocada.
A bolha parece-me confortável.
A bolha pertence a eles.
Assim, ó! Assim fácil.

Revoltados com sentimentos convergentes.
Um nó cria-se.
Nó de escoteiro: infalível.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Gotas

Lágrimas;
Flip flop,
Flop flip.
Elas caiem.

Tudo gira,
Gira e para.
Lágrimas,
Flip flop.

A poça se cria,
Escorregam.
Inunda a alma,
Nada enxergam.

Lágrimas;
Flip flop,
Flop flip.
Caíram.
Caiem...

Sobre mim.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ciclo

Abra a torneira emperrada
Abra a boca, não diga nada
Água fria, quente, morna
Água pura, suja e torta

Pingos aqui e acolá
Pingos não irão me machucar
A janela aberta está

Pegue a toalha úmida
Estique o braço, leve a sua
Felpuda, grossa ou indiferente
Toalha minha, tua e de tanta gente

Pingos acolá e aqui
Pingos nada são para mim
A janela está aqui

Feche-a, venha para dentro
Agradeça e não faça movimento
Adeus, até logo, tchau
Já disse, acabou, é o final

Na hora do "rush"

As lentes dos óculos transparentes
Escuras ficam, nubladas e toscas.
Meus olhos já cansados suspiram
Obtusos ficam, fechados e loucos.

O batucar dos dedos na mesa,
O barulho do relógio de pulso,
As buzinas já soam tão alto.
Nem ainda são seis da tarde.

O sorriso aberto que levo no rosto
Espontâneo fica, falso e amarelo.
Minha boca arrenegada se alerta
Um bico fica, nada quero.

O barulho dos saltos no corredor,
As risadas nervosas da sala,
Freadas de carro bruscas,
Nem ainda são seis da tarde...



sábado, 1 de setembro de 2012

Reticências Íntimas

Tudo parece estar dando errado
Nada que se encaixava, se encaixa
Agora. Tudo corre tão rápido,
Tão de repente.

O espelho mente.
O espelho distorce.
O sorriso é falso.
E certeira, a morte.

Os dias passam singulares
São eles sujos, nublados.
A rotina se perde em meio
Às minhas mãos. Já não sou capaz.

Sinto-me presa.
Exatamente na mesma.
Os círculos diminuem,
O ar falta-me.

Síndrome do pânico,
Síndrome do medo.

Hipocondríaca,
Mal e mal, até que bem.
Psicótica e alucinada,
Mal e mal, até que péssima.

Humano

Somos todos iludidos
Somos chatos, pertinentes
Somos perdidos

Estamos todos enroscados
Estamos depressivos e neuróticos
Estamos todos enrolados

Não que não possamos mudar
Apenas não sabemos aceitar
Malditos
Benditos
Ilusões enrascadas
Opções lascadas

27/08/2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Epílogo


Era mais um domingo monótono. Mais um dia vazio da semana. Apesar de que, é muito reconfortante ter um dia “livre” da semana. Um dia que ninguém te obriga a nada, nada te obrigada a alguma coisa, tampouco. Domingo é apenas mais um dia em que lemos reclamações, conversamos sobre o cansaço da semana que se inicia e resolvemos situações triviais, como estender a roupa ou arrumar o guarda-roupa.
Contudo, naquele domingo eu tive a certeza de que o meu mundo, o qual já não girava de forma correta, havia saído por completo do eixo. Não que algo realmente tenha mudado, porque isso não ocorreu de forma alguma, mas porque as palavras foram ditas de forma errada.
O que deveríamos sentir quando uma suposta melhor amiga te acusa de errar friamente, quando na verdade a pessoa que te deixou escapar fora ela? Se é que isso tem algum sentido. De qualquer forma, foi assim que minha semana se iniciou. Bela maneira.
A conversa se iniciou de forma direta e sinceramente, me surpreendi. Não esperava que fosse lembrada. Uns meses se passaram desde que aos poucos dissemos tchau, sem usar palavras de fato. À distância nos preencheu, as escolhas nos mudaram, porém, nunca esquecerei por que tais palavras me mortificaram.
Talvez, eu não devesse lamentar. Meus problemas são meus e apenas. Contudo, quem não adora desabafar? Ou pelo menos, ser ouvido, sentir-se o centro das atenções? Não que sempre o fazemos de propósito. Não é assim que funciona, não com todos. Não comigo. Gosto de ser cuidada. Geralmente, isso é a amizade. Um caminho de duas mãos inglesas, eu te ajudo e a ajuda volta para mim, assim que eu precisar.
                Não custa sonhar. Ou não custa ter paciência. Certas pessoas, muitas delas quem você menos espera estão ali por ti. E infelizmente, aquelas que você sempre pensou que estariam simplesmente somem. Entretanto, não se culpe por não enxergar isso imediatamente. Demora.
                Amizade, do latim amicitate, substantivo feminino, afeição, amor, boas relações, laço cordial entre duas ou mais entidades, dedicação, benevolência; isto é teoricamente amizade, cada um de nós temos uma história da verdadeira visão disso tudo. Em teoria tudo é belo, mas tire do papel o plano e tente ver o resultado real. Pode ser frustrante. Pode não, talvez seja.
Apenas, não me chame de pessimista. Não é bem assim. Vivemos em um mundo colorido demais, repleto de facilidades, repleto de ilusões. Se não deseja cair, lhe aconselho não se deixar tropeçar. A realidade é bem mais interessante do que a imaginação, o cenário perfeito... Contudo, na imaginação não nos machucamos e ali, nos sentimos seguros. Sãs e salvos, mais do que a necessidade de cada ser humano. O desejo profundo e implícito. Ninguém quer se sentir largado. Ninguém quer e ninguém gosta.
“Quem ama, cuida”, alguém disse um dia.

domingo, 19 de agosto de 2012


"E eu que pensava que algum dia conseguiria terminar alguma coisa. Muito fraca. Fraquíssima. No fundo, no fundo jamais consegui ver a chama da certeza dentro de mim. A chama sempre fora algo secundário. Uma chama raquítica. Alaranjada, vibrante e perigosa, porém fraca. Fácil de apagar. Um sopro e tudo pode ir por água abaixo. Talvez eu seja pessimista. Talvez eu seja nova demais para ser pessimista. Talvez. Acredito fielmente que nada haver tem a idade. Isso é coisa da cabeça. Acredito que causarei discórdia e bagunça. Pois bem. Bem vindos ao clube!
Não queria começar a detalhar meus momentos íntimos como já de costume, por isso criei uma miscelânea. Por favor, elogios à parte e se forem criticas, pode ser diretamente na minha cara lavada. Pode ser incoerente, contudo prefiro criticas a elogios. Fáceis de lidar quando já se lida com a falha.
Devo acrescentar que sofro algum distúrbio de autoestima? Não vejo necessidade. Minhas palavras aqui colocadas entregam meu jogo de cintura patético. Meu jeito de ser psicótica e nervosa. Neurótica. Palmas.
Vou parar de ser tão ridiculamente sofrível. Serei mais enigmática. Sei que entrego o jogo facilmente. Não que quisesse, apenas porque eu sou assim. Sou mesmo. Ninguém jamais vai conseguir me mudar. Alguém já viu um idoso mudar hábitos de cinquenta anos? Não. Se minha alma cinquenta anos tem, ninguém a mudara.
“Grande raciocínio”, digo a mim mesma. Fraca. Fraquíssima. Irônica. Amargo jeito de enxergar a vida. Dou de ombros, porque é muito mais pratico. Escrevo, porque gosto de desabafar coisas mal resolvidas.
Não preciso montar um perfil. Isso é apenas um epílogo. Decida logo se irá até o final. Sou impaciente. Sou fraca. Vou calar-me.(...)"
Suor pinga nas minhas mãos
Estas secas e fracas
Tremo

Tremo
Este tão meu jeito
Limpo o suor da testa

Estou na corda bamba
Equilíbrio falta-me
Não caio

Não caio
Por muito pouco
A corda bamba me segura

Estou totalmente nauseada
Estou mesmo
Sou

Sou
Um erro
Um erro nauseante

sábado, 11 de agosto de 2012

Amor meu

Queria escolher as palavras corretas
Queria  fazê-las eternas
Sonhei  com o dia em que te diria: adeus.

Tanto acreditava cegamente.
Tanto fui inconsequente
Apesar de tudo,
Nunca pensei nos erros seus.

Quisera eu ter usado óculos
Pudera eu ser agora livre.
Nada me custa
Recuperei a liberdade que tive

Amor não planejado
Nada governado.
Escrevendo em linhas tortas.
Nocauteada, isso te choca?

Feridas e cicatrizes.
O básico de varizes, rugas,
E cabelos brancos.
Grande amor franco...

06/08/12


Final de ano


O vento sopra delicada e perfeitamente. Sinto-me de volta as redondezas. Parece-me que nunca sai daqui, quando na verdade fui e voltei, muitas vezes. Inúmeras vezes.
Estou de volta ao passado. Estou de volta. Estamos juntos nessa. Sinto-me segura ao lado de cada um de vocês. Sinto-me em casa. Sinto-me pronta para pular de um abismo. Sinto-me tão confusa.
O “nós” de tão ontem, agora é um “nós” diferente. Eu realmente me cansei e não vejo por que me importar. Acredito que, no fundo, não me importe. O nosso “nós” dessa vez não pode dar errado.
Eu sei, gasto aqui minhas fichas na aposta adolescente de ser para sempre jovem e quem sabe cantar que “hoje à noite, nós somos jovens e vamos atear fogo no mundo, nós podemos arder mais que o sol”.
Ah, o sol!, tão extremamente gigante estrela. Sol aqueça meus pensamentos antes que eu me congele. Antes que eu me transforme em um cubo de gelo. Sol aqueça-nos. Faça com que minha aposta não seja em vão. Não quero que seja. Não. Não. Não.
Talvez o final me guarde memórias tão sentimentais quanto as de Miramar e assim, eu possa transcrever alguma coisa. Futuro seja bom, porque de confuso... Já basta o presente.

Geração Y

Risos e conversas paralelas
Algumas taças brindam
Umas a felicidade
Outras o fracasso

Somos jovens e curiosos
Somos grandiosos
Estamos no céu e na terra
Estamos sem eira 
Nem beira

Palmas e assobios
Quem sabe a noite será boa?
Ninguém ainda caiu
Ninguém nos aplaudiu

Meu fluxo é desgovernado
Meu ritmo desacelerado
Somos jovens e burros
Somos o novo mundo

Para Laura, com amor


Fiz-te um pequeno texto. Fiz-te um olá! Espero que não se importe, peço que não repare nos possíveis erros. Não sou de fazer isso. (risos)
Parece-me que passou muito rápido o pouco tempo que nos conhecemos. Parece-me que foi ontem mesmo que por alguma razão esbarrei em ti. Engraçado como o mundo gira... Agradeço o giro ao mundo, porque quando se agradece, agradece algo a alguém.
Enfim, queria voltar no tempo. Queria ter aproveitado mais, não ter sido cega e surda. Contudo, erros nos constroem, nos moldam e fazem parte. Relevamos, aceitamos e então concluímos: somos o que somos.
Espero nunca, jamais ter que te acenar adeus, nem em teoria, muito menos em pratica. Quero sempre te acenar um até mais ver!
Desejo-te a maior felicidade! Sucesso na brilhante carreira, que com certeza terás! Saúde para construí-la e vivê-la, muitos anos de vida para desfrutá-la! Desejo te ter sempre ao meu lado! Sempre. Por quê? Porque sim, amiga!
Amiga porque o significado faz jus. Amiga porque a mão de comunicação é inglesa. Amiga porque sim. Amiga porque não há julgamento e sim, aceitação. Amiga, amiga mesmo e sorrio muito, porque isso eu descobri, isso eu achei!
“Feliz aniversário que tudo esteja azul e você é muito gente fina, bacana para xuxu!”, continue sempre a sorrir, continue sendo esforçada, ouvinte, fiel e extremamente capaz de absolutamente tudo!
                Beijos, debut #18-1 #luci #msh #direito #eternas #vogue #diva #ehnoiz #bonde #da #madrugada!

P.S.: por favor, vamos marcar outro cachorrão daqueles, bem hardcore?

Bisous.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Unhas descascadas
Sempre cansada
O jeito de andar
A noite sem luar

Gire o tulê do vestido
Diga ao mundo alô
Brilhe sem ter luz
Brilhe mesmo com dor

Cabelo descuidado
Sentimento reprovado
Detalhes incertos
Amanheceu e não enxergo

Dance no ritmo falso
Acene ao mundo
Estoure seus neurônios
Estoure ao imundo

De
Vas
Sa

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A TORNEIRA PINGANDO:

E diga adeus aos convencidos...
Espreite num silêncio desalojado
E desaponte a dama...
Enlouquece junto
Com os desenhos animados,
Enquanto se tem tempo.
E o veleiro ainda não chegou.
Ele precisa demonstrar os seus
Gostos alcaloidais.

O tempo paira
Os comentários vêm e vão
Risadas a soar
O veleiro nunca chegará
Não há por quê, tampouco.
Falas, risadas, alto demais!
Gostos aleatórios.

Vamos brincar de rodar?
Rode em seu eixo próprio
Caia
Levante
Os segundos passam
Já se foi.

E almaços servindo de cama
Junto dos coadores de café...
A cortina rasgada e a vidraça em fé
Tudo num vulto orgânico.


08/08/12


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Escada para o céu

    Alguns degraus estão a minha frente. Alguns eu tentei subi, outros consegui, alguns também escorreguei. E até aí, nada que possa surpreender quem quer que seja. Ando tão sem sal, sem gosto, sem ter o que contar. Ando aqui, remoendo sozinha, refletindo e curtindo a ferida mal cicatrizada.
    Recostada. Vegetando. Pensamentos que flutuam mas que não me tiram do chão. Queria poder voar. Soa pateticamente clichê, nada mais que minha verdade absoluta. Eu queria tirar meus pés do chão. Dizer alô ao céu, ver o mundo diminuir.
    Longe. Longe. Tão longe.
    Não teria mapa. Não teria preocupação. Adeus problemas, adeus equações! Céu azul, céu estrelado, céu, tanto quero te tocar. Nuvens. Nuvens e mais nuvens. E mesmo se o dia estiver feio, nele quero estar. Longe. Tão longe dessa complicada rotina que me aprisiona.
    Chova ou faça sol, grande frase repetida inúmeras vezes.
    Contudo, não voo. Contudo, estou aqui a subir. Degrau. Degrau. Quem sabe eu chego ao céu? Nada parece ser impossível. Um dia toco as estrelas, nuvens e afins. Um dia quando, tiver o que contar. Um dia que... Bom, deixem para lá.

Etapas

Por incrível que pareça, comecei o texto pelo título.
Título, peça intrigante, por muitos importante.
Título.
Pode parecer estranho começar um parágrafo.
Parágrafo, tão fundamental, tão temperamental.
Parágrafo.
Complexo, pois sim, é desenvolver.
Desenvolvimento, cheio de respostas, tão poderoso quanto o mar batendo na costa.
Desenvolvimento.
Queria mesmo é saber concluir.
Conclusão, assim assado, fim finado.
Conclusão.

domingo, 5 de agosto de 2012

Ela


Ela seguia seus sonhos, de uma forma ou outra. Apesar do seu jeito descabelado, desdenhado, tinha lealdade.
Os ângulos eram anormais. Seu transferidor tinha vida própria. Ela enxergava como queria. Inventava, se necessário. Havia muita vida em batalha dentro de si. Ela carregava em seus ombros estreitos, sentimentos divergentes. Ignorava-os. Sempre quando possível.
Algumas palavras não me ajudarão a contar esta historia. Infelizmente, ela tem um “quê” desgovernado. Posso ser pontual, porem não seria verídica.
Este personagem, ainda chamado Ela gostava de sentir frio. Usava dia e noite uma capa de chuva, chamava-a de armadura. A gota não a feriria, contudo ela esperava o pior de tudo e todos.
Levava consigo uma caderneta e um lápis sem ponta. Provavelmente, nunca o apontara. Caso escrevesse, pediria a alguém emprestado. Se fosse questionada sobre seu lápis despontado, diria automaticamente:
- Inútil despontado. Eternamente não utilizado.
Era comum deixar a todos perplexos. Na verdade, era até cômico. Suas atitudes peculiares eram quase programadas, entretanto eu não ousaria chamá-la de falsa.
Seus cabelos longos, descuidados e cor de burro quando foge. Seus olhos verde musgo. Sua essência de baunilha. Talvez, certo cheiro de cigarro. Cruel vida de fumante passivo.
Ela tinha tanto a ser descoberto. Não frequentava nada. Escola ou qualquer coisa que a levasse a ter rotina. Vagava. Vagava com a capa de chuva e caderneta. Lápis sem ponta e passo dançante.
Queria saber aonde ela chegaria. Entretanto, perdi as contas de tanto que tentei decifrá-la. Queria perguntá-la. Queria abordá-la. Grande interrogação. Grande confusão.
Ela seguia seus sonhos. De forma irregular, ingênua e perspicaz. Ela apenas seguia seu caminho, entre estradas sem fim.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Rosa


                À medida que o tempo passou, eu tentei me adaptar. Não saí correndo desesperada. Não precisei de colo. Enrijeci. Criei uma forte armadura. Deixei de lado picuinhas e admito ter adotado outras. Livrei-me do ciúme, livrei-me da alma penada que carregava.
                Pode parecer muito drama da minha parte. Posso ser humana, não? Temo, às vezes em ser eu mesma. Temo. Joelhos fracos. Cabeça fraca. Temo. Contudo, não deixo isso me abater. Muito pelo contrário. Danem-se rótulos, cenários perfeitos e roteiros prontos. A caneta já está na minha mão. Escrevo eu mesma meu roteiro ideal. Serei feliz ou não, qual a diferença? Nenhum corretivo disponível para apagar ou corrigir. Se o leite derramou, voilà! Não há do que chorar.
                Infelizmente, nesta narrativa sem coerência, jogo-te verdades feias, contudo prefira-as. Quem sabe, possa pintá-las um dia? Faça-as bela, como um dia a rosa fora. Como um dia você fora.
                Tão bela e tão vazia. Um grande jarro de vidro. Um jarro rachado. Coração despedaçado. Acolhi tão maternalmente. Quisera eu ser indiferente. Bati palmas. Reguei. Conversei. Ouvi. Principalmente ouvi.
                Rosa mal acostumada. Entretanto, eu nada via. Era cega de visão nublada. Nada queria ver. Estava deslumbrada. Quisera eu dar de ombros.
                Ô Rosa mal amada, que culpa eu tenho se perdeste o rumo? Que culpa eu tenho se preferi me afastar? Rosa, Rosa. Você colhe o que planta, nos dizem.
                Como queria ajudar-te a ser uma roseira. Não ligaria para os espinhos, estes indecifráveis vértices. Nunca os enxerguei, naturalmente.
                Rosa, eu sinto muito. Não posso suportar. Comprei-me lentes novas, na verdade meio gastas. Enxergo de verdade. Cores nítidas de arder os olhos.
                Seu encanto machuca. Sinto muito novamente. Agora eu enxergo. Mal e mal, até que bem. Deixo-te claro no escuro: cansei. Difícil de suportar jarro vazio quebrado. Duro deixar uma rosa mal agradecida te furar os dedos. Houve sangue e dor.
                Não me chame de palavras sujas, este vocabulário te pertence. Entretanto, sua cor empalideceu. Seu mundo e eu não pertencemos. Rosa, o que é para ti amizade? Se não um caminho de dois lados? Uma rua de mão inglesa? Rosa, tu sabes compreender?
                Não fui paga para cuidar de ti e apenas. Quisera eu ter pedido salário. Quantas sessões sem hora marcada? Grande patética eu fui.
                Trocaste bens preciosos por temporários. Trocaste vida por morte. Ó Rosa desqualificada! Mudaste tua alma. Mudaste teu dicionário.
                Digo-te sincera, vá-te. Mas, vá-te...
                Rosa, meu adeus fora dado. Meu tempo agora é curto. Suas escolhas foram feitas. Não venha reclamar de mim. Perdeste teu rumo. Perdeste tua alma. A tudo assisti. Rosa, Rosa despedaçada, leve consigo seus estragos. Preciso cuidar do meu canteiro de ouro. Tenho o que preservar.
                Um dia quem sabe, voltes. Um dia de verão, quem sabe, tu desças do patamar que te encontras. Não eis melhor que ninguém, pelo contrário Rosa. Porém, eu preferiria ter alguém. Se teu nariz alcança o céu, te digo basta.
                Não me culpe, por ter te abandonado. Escolhi a mim, invés de a ti. 


               

                

Substância entre paredes?


Parece que foi a três dias que recebi teu depoimento da viagem. Parece que foi anteontem que comecei a contar os dias em um calendário qualquer e digo mais, tive a capacidade de usar um do ano anterior. Não entenda errado, queria saber quanto tempo tinha com sua presença. Parece que foi ontem, ontem mesmo que te conheci.
Sim, eu sei. Já te escrevi. Sim, mas se prometo, cumpro. Prometi a mim mesma, um segundo adeus. Parece meio sem sal, contudo meu coração martela fortemente. Serei mais do que um chavão pendurado, serei levemente aleatória. Importas-te?
Gostaria de pedir-te paciência. Gostaria de pedir-te que levasse sua alma leve. Esqueça-se de certos, lembre-se dos certos. Leve consigo sabor, calor e essência. Leve-te. Faça com que a experiência flua como a brisa da praia gelada. Deixe ser levada.
Escreva. Relate. Descubra. Seja. Viva. Amadureça e quem sabe, te decida: “Não sei se sou mulher feita, ou menina, menina que tem forças para o povilho quebrar”.
Deixo-te claro no escuro que acompanharei os passos. Sentirei falta dos abraços. Do som e das conversas. Relevo, o tempo voa. “Tempo para nada, nada para o tempo. Este que corre contra a velocidade de meu cavalo”. Sendo assim, concluímos: vejo-te logo em breve.
Saudades, Maria Exita. Saudades, Duda. Saudades, Stefanie.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Por trás de lentes de contato
Havia muito não contado
Por trás da máscara
Deveria haver mais que o nada

Perdida, indecifrável
Dissimulada, insaciável

Queria poder contar novidades
Conto porque quero
Queria contar mentiras
Para retirar-te de conversas alheias de certos

Escolhas, apenas escolhas
Caminhos, sem rumo
Sem rumo ou fascínio

Telepatia


Por trás da janela entreaberta, por trás da parede vermelha descascada, por trás de cortinas mal lavadas, ela se escondia. Ela desejava poder sair, contudo tinha medo das verdades. Já tão acostumada a mentiras, bem ou mal contadas.
Nunca trocava de roupa. Nunca sorria. Parecia carregar um fardo em suas costas magras. Parecia machucada, sofrida. Com dor, relutante em fazer um barulho que a entregasse.
Eu não ousaria me aproximar. Talvez, porque quisesse ajudá-la e não aceitaria um breve não em resposta. Ela giraria seu corpo curvado, andaria para trás e balançaria a cabeça em negativa. Ela se recusaria ser tocada, se recusaria ir embora. Ela não contaria nada.
Havia algum segredo. Havia um pesadelo? Pobre garota magrela. Triste possível fim. Quisera eu pegar na mão dela e dizer: esqueça. Ela me responderia com os olhos. Com a alma. E de alguma forma, eu saberia a resposta: “isso é importante demais para ser colocado de lado”.

Borracha suja

Uma guinada fora dada
Nenhuma ré
Não há espelho retrovisor, tampouco
Olhemos para a frente, segue
A estrada segue

Asfalto, chão batido
Lama ou paralelipípedo
Segue

Estamos a seguir
Sem correr contra o tempo

De repente, sou corajosa
Por segundos ou mais
Decidida em escrever
Mesmo que seja de lápis
Mesmo que seja Mont Blanc

Uma meta brilha ao fundo
Os rótulos que se danem
Segue

Bato palmas
Relutante em acreditar em mim
Relutante em aceitar fatos

A estrada segue
Vazia
O silêncio segue
Nos domina

Cruel maneira de ser otimista
Estar sozinha
Refletindo sobre erros, confusões

A estrada segue
Meu caderno se abre
A caneta trava
A folha se rasga

Complexividade
Esta tão oblíqua arte

Alguém para me salvar?
Que me resgatem
Melhor, não perca tempo
Me apague 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Mente calada, mãos atadas


Lembro-me como se fosse ontem. Lembro-me, pois posso enxergar a hora que quiser. Eu posso escolher na prateleira de memórias, como se escolhesse um filme em uma longa lista de nomes. Porém, um filme dramático, melhor de terror. Um filme que eu não deveria ter assistido. Quer-se sonhar sobre. Entretanto, muitos dos meus pesadelos são frutos dele.
A lembrança é fria, cruel e insaciável. Nunca se cansa em aparecer quando não a desejo. Quando não a quero. Maldito seja o belo dia que entrou para minha vida a pior cena.
Tudo gira em torno do dia. Dia que deveria ser o melhor da minha vida, dia que deveria se encaixar como qualquer um em meu calendário. Contudo, é um dia que se quebrou em muitos pedaços de quebra-cabeça e cada pedaço, cada peça vive me atormentando diariamente. Eu vivo um pesadelo. Será que vivo?
(...)

domingo, 15 de julho de 2012

Conto de contadores de história


Ele amava escrever. Escrevia mesmo quando não deveria. Quando deveria, por exemplo, estudar. Quando devia publicar seus textos. Porém, não. E para quê? Escrevia para si, ao contrario de mim, pseudo-escritora. Necessito de opiniões de terceiros para seguir feliz.
Ele tinha um amplo e muitas vezes ultrapassado vocabulário, assim como seu estilo de vida peculiar. Tinha mania de muitas coisas. Andava sempre usando tons pastel. Levando consigo uma caderneta, uma caneta. Um chapéu panamá.
Ninguém o compreendia. Pergunto-me se ele sabia se compreender, acredito que não. Ninguém se compreende, não por completo. Somos seres humanos incapazes de saber de si, mas muito bem condicionados de falar e conhecer tudo sobre os outros. Triste fim.
Não se importava em andar sozinho pelos corredores, não se importava de ser sincero. Sabia que reclamavam de seu jeito, porém não tinha tempo para se importar. Estaria muito ocupado escrevendo algum poema indecifrável para mentes pequenas.
Bem vindos ao mundo de seguidores literários.
Havia seus três jeitos, havia muita coisa que jamais fora escrita. Havia amor. Havia pessimismo. Havia decepção. Havia muito. E simultaneamente pouco. Seu coração partido ou não, não sei dizer, estava à procura de calmaria. De alguém.
Que ele ache a então dama que tanto procure. Que ele consiga a levar para o sul da França. Que seja verão o ano todo. Que tenha flores na primavera. Que anoiteça sem que ninguém parta em um carro importado, com outro alguém. 

Inverno


Acho que o frio congelou minha vida. Acredito que com seus ventos cortantes que queimam meu nariz, o inverno só queira me machucar ou ensinar uma lição. Uma lição dessas baratas, porém ainda desconhecida.
Vago pela casa. De quarto em quarto. Indecisa por demais. Nada me aconchega, bom, nada por completo. Parece-me que o inverno só quer me confundir. Canso-me. Quatro longos meses.
O frio dói em meus ossos. Pensamentos em formas de cubo de gelo. Abro a torneira para deixar a água limpar vestígios de insônia, a água fere. Mesmo sem ter a intenção. A água perfura meu rosto já tão sensível.
Sento-me e trato de me distrair lendo algum romance frívolo o bastante para me fazer sorrir e sonhar e não chorar e refletir. De vez em quando a inutilidade nos alimenta por incrível que pareça. Ela nos abstrai para um cenário perfeito.
Por fim, gasto meus últimos minutos escrevendo. Minha mão dói. A caneta trava. A caneta é pesada. Pelo menos eu escrevo. Faço de minhas palavras algo mais do que uma bagunça aleatória, é uma bagunça organizada. Ao meu modo, naturalmente.
Já é de noite. Novamente. Já é frio o suficiente para eu sequer respirar normalmente. Minha letra já não sai desenhada, é um rabisco rápido. Rabisco cruel. Perco a forma, perco o fio da meada. Mera escrita banalizada. Mero texto sem final concretizado.
De qualquer forma... Bom, tanto faz. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A história da menina frívola


Ela usava qualquer tipo de roupa que levasse um rótulo famoso. Desejava um mundo distante, uma realidade inexistente, livre de obstáculos, livre de empecilhos. Um lugar chamado utopia, uma utopia que infelizmente não pertence a ninguém. Somos humanos, não?
A música tocaria em sua vida para todo o sempre e nada está errado nisso, porém para todo o sempre a mesma batida? A batida incansável. Mudaria o espaço, as pessoas, a letra, mas, a batida seguiria sempre a mesma. Sempre e sempre. Tic-toc-toc-tic.
Grandes merdas! Realmente.
Dividida entre questões pessoais e decisões pessoais, ela deixou de lado muito. Jogou para os ares muito, muito daqueles que eram então sua base. Aqueles que a escutavam e tinham sentimentos por ela. Muito mais fácil levar a vida sem se preocupar com os outros, apenas reclamando e recebendo a atenção. Ai de quem não der atenção...
Canso-me facilmente.
Contradizendo-se. Refletindo toda a vida sobre muito, chegando a lugar nenhum. Tento controlar minha dó. Tento compreender essas coisas da vida. Cada um sabe dos seus problemas, mas não vou livrar-te de ter culpa no cartório, culpa no final do algo “sólido” que por “água abaixo” fora.
Palmas ao egoísmo! Olá mundo atual! Olá individualismo! Foi um enorme nojo lhes conhecer.

sábado, 30 de junho de 2012

Palavras

Há palavras em todo o canto que se olha. Direita. Esquerda. Cima. Embaixo. Há palavras ao redor. Palavras que gritam, choram, gargalham, suplicam, cantam, sorriem, cuidam... Palavras. Palavras minhas e suas, deles e delas. Nossas.
Palavras que sozinhas não são nada, mas combinadas se tornam muito. Outras que são perfeitas sozinhas, criando sua própria sinfonia. Aleatórias. Palavras.
O mundo sem sua participação seria tão monótono. Seria tão cinzento. Palavras colorem a cada dia, formam longos romances, histórias e crônicas. Narrativas de suspense, dissertações argumentativas. Palavras são perfeitas. Palavras e palavras.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sábados

     Sim, a noite é fria, silenciosa e um pouco cruel. Apesar de silenciosa, simultaneamente eu posso escutar a televisão e carros na rua ao fundo. O silêncio engloba mais do que apenas o silêncio.
     A casa está uma bagunça. A noite fora agradável. A noite fora memorável. Ah, noite!
     Estou recostada no sofá da sala. A casa dorme pesadamente, enquanto eu gasto meus últimos momentos de lucidez. Antes que meu cansaço vença minha resistência. Meus olhos já fecham sozinhos e independentes. Perdi.
     Reflito sobre a grande e variada salada de pensamentos, os quais estão bem misturados. Minha mente viaja. Abstrai. Chego a conclusão alguma. Chego a lugar nenhum.
     Já são altas horas da madrugada. Que horas são? Quebro a ponta do meu lápis. Quebro meu raciocínio. Ainda persisto em alguns rabiscos que jamais saberei decifrar. Nada sai. Nada. Estou vazia.
     Ah, noite! Ah... Boa noite.
Petom
Motep
Mepto
Tempo

Grace

     Bem vindos à patética vida de Grace. Não Grace Kelly ou Greiciellen (nada de faxineira, por favor... Mas também nada contra, sejamos abertos ao mundo de nomes e derivações), apenas Grace. Pergunto-me se o nome é para ser associado com a palavra "graça"... Reflitemos.
     Até parece que meu nome peculiar e imprevisível falaria mais de mim, do que eu mesma. Apesar de ser original em certos pontos, sou nada mais nada menos que um iogurte a temperatura ambiente, como Margaret Walsh, no romance "Los Angeles". Marian Keyes - a escritora - foi perfeita na descrição da personagem. Enfim.
     Sou batalhadora mas, nem tanto. Educada, porém teste minha paciência para ver... Decente e que leva uma vida transparente e agradável. Ao que se pode ver, eu pareço ter trinta e poucos anos, experiente e cheia de jogo de cintura, entretanto eu não tenho não.
     Na verdade, acredito fielmente que minha alma fora envelhecida assim que nasci. Muito cômico. (...)
   

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Montanha russa

Bem, lá vamos nós de novo. E mais uma vez... Para baixo e para cima, de cabeça para baixo, 360 graus e afins. Lá vamos, lá vamos.. Já fomos e estamos.
Sentimentos oblíquos. Sentimentos apenas. Sentimentos são muito complexos e estão sempre preparados para nos surpreender, infelizmente nós nunca estamos prontos para eles. Não dá.
Sentimentos, vão arranjar alguém para incomodar?
Não é o suficiente usar o cinto de segurança. Bom, na verdade, é. Ou talvez...
Veja meu problema de me expressar.
(?)

“Como em um piscar de olhos, tudo está de cabeça para baixo. Desesperadamente perdida e sem liberdade.
         As palavras parecem estar presas na minha garganta. A minha coragem é fraca e paranóica. Quem entenderia?
         Minha esperança está se despedaçando, minha vida é apenas uma mera coadjuvante e eu já nem sei por que continuo aqui.
         Ou está tudo parado ou está tudo borrado, mas eu continuo de mãos atadas”

terça-feira, 19 de junho de 2012

Século 21

Tempo. Temp. Tem. Te. T.
Correria. Corre. Corr. Cor. Co. C.
Tudo se passa em um piscar de olhos.

Frações de segundos.
Deu. Já passou. Já é o amanhã.
Século da globalização. Do tique-taque.
Do cronômetro. O alarme irá tocar.

A bomba vai estourar.
Bang! Bumb! CABUM!
Maldito século vinte e um... Maldito!

Tempo. Temp. Tem. Te. T.

domingo, 10 de junho de 2012

Monólogos

E então?
Como vão?
Estou mais uma vez a digitar freneticamente. Digitando. Digito sem saber onde vou chegar. Não faz diferença. Só saberemos quando chegarmos. E se chegarmos...
Gasto meu tempo, o qual escorre pelas minhas mãos. Minhas mãos estão frias, ansiosas. Não vejo novidade, nunca mais. Gasto meu tempo. Tempo meu. Tenho um tempo?
Não, não. Não há tempo. Se houvesse, se fosse meu.. Ah, mas que sonho! Mas que paraíso... Tempo, onde se encontra?
Enquanto gasto "meu" tempo procurando meu tempo, se é que existe sentido em minhas palavras oblíquas, fique. Fique. Me espere.
Pare o tempo. Pare.
Estou confusa. Sou confusa. Não há sentido, nem tempo e nada mais. Fim. Há, há sempre um fim.




sábado, 9 de junho de 2012

Irmão de alma


Ele me recebeu usando cachecol preto. Seus olhos estavam ainda mais verdes. Como se fosse possível. Sua barba moldurava seu rosto. Algo ali estava escondido. Algo. Havia interrogações que brilhavam, entretanto eu não sabia como ajudá-lo. Não sabia respondê-las.
O ambiente era reconfortante. Os discos na parede da sala de jantar deixava o apartamento mais original.
De braços cruzados ele me ouvia tagarelar. Tagarelava demasiadamente, mesmo tendo passado o dia de cama. Ele analisava-me calculadamente. Passava a mão pelo queixo, de onde brotava pelos rebeldes, da barba por fazer. Ele tinha a outra mão no bolso.
Eu estava sentada em um banco alto de madeira, o qual estava bambo e frágil. Ele provocava:
- Vais cair! – abrindo os olhos com força, como se estivesse dando ênfase.
- Não vou. – eu respondia contrariando.
Era muito fácil passar horas com ele. Era muito fácil acabar rindo por nada muito concreto. Era fácil o ver e sorrir involuntariamente. Ele ria de minhas tempestades em copo da água. Eu ria do jeito que ele dançava. Principalmente quando bebia mais do que o necessário. Riamos.
Apesar de ter um belo sorriso, seus olhos verdes, injetados e curiosos guardavam pensamentos diversos, aleatórios, incomodados. Talvez, deprimidos. Nada podia consolá-lo. Sentia-me impotente, uma vez ou outra.
Seu jeito de lidar com tudo, lhe era característico. Seu jeito era seu e apenas.
Era muito fácil conviver com ele, pelo menos eu achava. Contudo, o que sou eu, se não apenas uma amiga de passagem? Sempre a correr?
Havia mais do que amizade, porém havia menos, bem menos do que paixão. Havia cumplicidade. Havia uma conexão que às vezes, eu me perguntava como era possível. Mas, certas perguntas não possuem respostas.
Era bom ouvir sua voz. Espero que ela ainda soe por esses ares, rádios, televisão. Há muito para ser escrito. Há muito.
Lembro-me de como nos conhecemos, eu dizia para ele ter cuidado. Da ultima vez que nós vimos, ele me disse o mesmo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Aleatórios


Nunca me importei com os estereótipos. Por que o faria? Como sempre o rótulo vencedor seria idealizado pela mídia, pelos corruptos por trás da mesma. A imagem fora banalizada de uns tempos para cá. Porém, apesar de ouvirmos reclamações, ninguém se impõe. Ninguém usa a voz.
Antes que você comece a me julgar como uma revolucionária fracassada, sejamos amigáveis e simpáticos e nos apresentemos você, leitor e eu autora descontrolada. Muito prazer.
Serei pratica. Não pretendo contar todos os detalhes de minha vida, até porque acho que eu seria extremamente monótona. Ou não. Desde pequena minha mãe me dizia o quão único todos somos.
Devemos sempre concordar com o que nossa mãe nos diz. Mesmo que relutantemente. Elas acabam sempre tendo razão no que falam. É incrível. Como elas têm esse poder? Convenhamos, se eu tivesse essa experiência “maternal” sem precisar ser mãe, logicamente, eu seria para todo o sempre feliz. Mas, infelizmente todos nós fomos, somos e seremos castigados pelo famoso “eu te avisei”. Não adianta fugir.(...)

Um diário para chamar de meu


Nesses momentos, entre a aula de química orgânica e matemática, encontro-me aqui refletindo. Refletindo sobre tudo. Solucionando absolutamente nada. Minha mente está em blackout possuído e hipnotizante. Minha mente está ancorada, fortemente resistindo.
                Se iremos analisar meu comportamento, recomendo um divã, recomendo um psicólogo. Se nós vamos discutir se erro, que chame o juiz, vamos lá...
                Nesses momentos, os quais são nublados e cinzentos, apesar do belo dia que lá fora se inicia. Gasto meu grafite escrevendo e tentando fracamente dispersar quaisquer pensamentos incomuns.
                Deveria já me apresentar? Acredito que até as últimas páginas, me odiará. A insegurança nos domina. Domina-me. Possui-me.
                Leia meus pensamentos, os quais escondidos estão entrelinhas, de alguma forma. Boa sorte. Paciência. Não posso facilitar para você, preciso manter a armadura. Eu já fui um livro aberto, cheio de rasuras e observações, grifado nas partes importantes. Porém, cansei. Criei em volta de mim proteção. Difícil se manter intacta, quando todos a sua volta podem te ferir, mesmo sem querer.
                Estou aqui a polir minha armadura de ferro, minha nova e bela amiga. Estou aqui prestes a tagarelar. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cinco passos para decepcionar as pessoas:

- Tente agradá-los.
- Tente ser você mesmo.
- Não seja você mesmo.
- Erre, mesmo sem querer.
- Omita para o bem dele.


Carta para "alguém"

Bom dia,
Sim, estou te escrevendo quando deveria estar analisando o confuso quadro de física. Estou ignorando as fórmulas, porque acho que vale a pena.
Não irei te dizer que é errado ou que não sinto medo, pois o faço. Chances de erro? Sim. Acertos? Sim. Estamos na faixa de cinquenta por cento, entre o sim e o não. Cabo de guerra cansativo.
Quem se importa? No momento, quero apenas te ver. Isso bastaria e como... Te tocar? Melhor ainda... Mas, tanto faz. Contanto que eu controle as borboletas em meu estômago, quando seu nome for citado casualmente.
Assim tão ingênua. Por que não sou forte? Auto-controle.
Antes que eu me esqueça, já que te escrevo uma pseudo-carta: como vai? Espero que bem. Sempre bem. Espero que sorrindo do modo mais seu possível.
Jeitos impossíveis de esquecer. E por que o faria? Não quero. Quero-te. Simples, como somar dois e dois.
Não pense que não reconheço os obstáculos, apenas sei que valerá a pena e já vale. Algo me diz, me insiste. Esqueço de detalhes. Há mais, bem mais. Não importa onde.
Que linha fina, esta por onde ando. Me arrisco. Aposto. Confio. Olhos fechados e coração aberto.
Te odeio, só que ao contrário.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fim


As palavras não fazem sentido. Estão completamente esgotadas. Para que saber de primas? Dispersão? Ângulo incidente maior do que ângulo limite?
Não. Cansa minha paciência, esta já tão gastada por motivos frívolos. Há muito que preciso descobrir pouco que faça diferença. Tempo nunca suficiente. Estamos a correr. Corremos. Nunca chegamos.
Se for isso a vida adulta que tanto ouço reclamar, me façam ficar onde estou... Se for isso ser adulto, não quero crescer. Quero ser criança indefesa para sempre.
Desejos impossíveis. Suspiro. De que adianta revoltar-me? De nada. Não sejamos tolos. Não. Já basta o que temos que escutar, mesmo sem querer. Doem os ouvidos. Dói.
Se for para crescer que isso aconteça. Essa passagem, esse momento me tortura devagar. Fim, eu o invoco. Chamo-te. Fim.

domingo, 27 de maio de 2012

Sem título 2

Todo dia é igual. Incansável essa vontade de jogar tudo para o alto. Todo dia. Tique-taque. O relógio não para, a vida passa. Tique-taque. Quando me dou conta, estou longe. Estamos longe. Onde estamos?
Não há coerência. Não há. Não há mapa que nos faça encontrarmos o caminho de volta. Estamos longe. E cada dia que se passa, cada risco em meu calendário, sinto um aperto no meu coração, sinto que vou explodir.  Ainda estamos longe.
Vejo o horizonte, uma linha fina. Vejo muitas coisas, mas nada faz realmente sentido. Tique-taque. O relógio ainda está sem parar.
Gostaria de pedir cautelosamente por paz. Será? Será? Paz ainda deve de existir em algum lugar. Sossego? Não deve estar extinto. Não. Tenho esperança, sim, a qual é a última a morrer. Sou chavão, de vez em quando. Sou uma bola aleatória. Digo olá para vocês!
Estou longe. Estamos muito longe. Estamos perdidos.

A despedida - Parte 1


Conheço-te e já faz muitos anos. Anos que se passaram muito rápido. Conheço-te e quando finalmente, estamos em uma fase da vida tão aleatória, terei que te assistir partir. Eu sei, parece fácil apenas dizer tchau. Contudo, não é. Derrubarei lágrimas e mais lágrimas, apesar de que ninguém as verá, prometo.
Estou fechando a pasta de lembranças. Lembranças como a festa de encerramento da terceira série, estávamos vestidas de baianas, colares pendurados, saias rodadas e longas. Um pano enroscado no cabelo e pronto, éramos baianas. Lembranças não tão antigas, como o karaokê, como as tardes de trabalhos escolares, as quais nós acabávamos sempre arranjando mais tempo para cantar e escutar música. 
Dividimos tantas risadas, lágrimas, medos e opiniões. Dividimos problemas e quantos...
As coisas às vezes não são certas cem por cento, afinal somos humanos não é? Macacos racionais. Bendita seja a humanidade. Entretanto, isso não vem ao caso. Por mais que erremos, briguemos, conseguimos voltar à amizade de sempre. Aquela amizade de "vinte mil anos".
                Somos invencíveis. Mas, eu terei que dizer adeus. Em breve. Levará consigo fotos, levará lembranças para a vida inteira. Sei que nos veremos e que isso não é o fim. Apenas o fim do agora, da rotina, a qual eu tanto sou viciada. A rotina que nos colocou lado a lado como amigas. Sinto falta desde já.                               

A Menina que Rasgava Livros


Um grande amigo meu sempre teve uma perspectiva mais profunda em diversos assuntos. Nossa amizade se iniciou devido à uma conversa de filosofia estranhamente agradável. Ele se chama Leonardo Lorenzoni, futuro jornalista e para todo o sempre, um grande escritor.

"Essa história não é sobre a Segunda Guerra. Essa história não é sobre judeus lutadores ou Jesse Owens determinados. Essa história é sobre um Menino-frango e uma Menina-parede. E diferentemente do que você deve estar imaginando, quem narra essa história não é a morte. De certo modo sou a vida.
Não sei lhe dizer quando começou, ou quando foi, mas a Menina-parede se tornou a menina que rasgava livros. Simplesmente por prazer eu acho, simplesmente por gostar. Sendo proibido, a expectativa aumenta porque se corre o risco de ser pega. Ela não se importava. Rasgava páginas e mais páginas só pela diversão.
A noite era estranha. Um misto de quente e frio envolviam os dois. Em minha frente a Menina-parede e o Menino Frango conversavam.

O Significado de um nome
Ele se chamava Menino-frango
não porque gostava, 
mas porque detestava

Ele estava mal. Ela não sei dizer, é muito enigmática para eu conseguir definir por completo numa análise simplória. Ela ria, cantava, dançava. Ele ficava quieto e a observava pensando em nunca deixá-la ir embora. Eles eram cúmplices de um crime perfeito, rasgavam as páginas e riam disso. Mas espera um pouco, crimes perfeitos não deixam suspeitos? Pois era exatamente o que eles eram, suspeitos. Suspeitos de carregar dentro deles um dos melhores sentimentos de todos: amizade. Mas não era só isso, ele carregava uma coisa que ela não tinha. Ela era uma coisa que ele nunca seria.
Eu vi ele pedir que ela prometesse uma coisa, ela não prometeu. Eu vi ele pensar uma coisa, ele não o fez. Eu vi os dois, nem que por um ínfimo momento serem felizes. Engraçado que não sei se devido à bebida ou à pura distração, ela não notou a minha essência, já ele, percebeu que eu não era mera espectadora na conversa. Abandonada num canto, eu estava empoeirada, esperando que me notassem, implorando para que me tocassem.

Quem sou eu
A máquina de escrever.

Nessa noite, ela fez algo importante que não percebeu. Ela acordou o lado romântico dele que há muito estava adormecido. E ali, sob a mesma promessa de por um anel naquele dedo, ele falou que me usaria para escrever os votos do casamento. Acho que ela não acreditou, acho que ela nunca vai acreditar. Ele falou a verdade. Acho que ela gosta muito dele, acho que quem sabe ela até o ama e não entendeu isso ainda, mas naquela noite ele era mais um para ela, e ela era a "uma" para ele. Terminou assim. E somente assim. Ela rasgando livros, ele querendo escrevê-los. Ela destruindo histórias, ele querendo contá-las. Ela sendo feliz, ele estando estranhamente triste. Ela viva, ele morto. Sou só uma máquina de escrever no canto de um boteco, não sou ninguém pra julgar alguém, mas acho que no final, a menina rasgadora de livros vai se arrepender de não ter feito a promessa, porque a única semelhança entre essa história e aquela do homem com o acordeão é que no final ele morre e ela chora. Ele morre de amor, morre de amizade, morre de tristeza, morre de viver. E assim, eu presenciei um dos melhores momentos da vida do Menino-frango, que coitado, não entende nada de crimes perfeitos, foi um péssimo suspeito, e foi considerado culpado por amar demais uma das suas três melhores amigas.
Uma última visão dos dois
Ela estava linda.
Ele estava feliz,
 por um breve momento
mas estava."






sexta-feira, 25 de maio de 2012

Minha interrogação

Acredito que eu deva me apresentar e desta vez, devo o fazer de forma correta. Muito prazer, espero que eu não te decepcione. Realmente, não me surpreenderia se eu escorregasse nos degraus. A escada segue traiçoeira em minha vida.
Espero que soe clichê, pois na verdade é clichê. Tenho dezesseis anos e olhem só, farei dezessete em breve. Incrível como a maioria das incertezas nos acerta nesta idade tão bela, porém tão ossuda e bipolar.
Há tempos que cá estou a digitar, procurando palavras para descrever, palavras a digitar. Digito e digito. Sem pensamentos concretos, sem pausa. Cadê saída?

Contos de pré-vestibulandos


Era a ultima tarde de provas para o vestibular. Finalmente. Todos suspiravam de alivio. Estava quente, pois era dezembro e mesmo no final de tarde, a temperatura era desagradavelmente alta. Um dos alunos, Guilherme se retorcia na cadeira de madeira. Apesar do ar condicionado. Sua testa estava suada assim como suas mãos. O nervosismo o fazia tremer.
Não faltava muita para ele jogar nas mãos dos corretores o que o ajudaria a ser aprovado. Ele estava mais do que curioso para o resultado, entretanto uma pequena faísca acendia dentro de si, o fazendo duvidar.
Sua redação estava pronta. Passou a limpo, corrigiu rasuras e limpou restos de escrita a lápis. Leu e releu sua narrativa mirabolante, ate achar possíveis erros. Contudo, nada fora encontrado.
Após a entrega das provas, retirou-se da sala. A pressão que sentia anteriormente se dissipou instantaneamente. Enquanto descia os degraus do prédio onde a prova fora aplicada, ele sentia a cabeça latejar devido à tensão, mas de alguma forma também se sentia livre, como se as contas estivessem pagas. Liberdade, doce liberdade. Entretanto, a interrogação persistia a brilhar no subconsciente.
O que podia ser feito estava feito e ele estava satisfeito com isso. 

domingo, 20 de maio de 2012

Sem título

Boa tarde,
Infelizmente não estou aqui para contar boas novas. Sinto-me que mais um "looping" me acertou em cheio. Bom, lá irei eu gastar palavras, as quais já não vejo mais sentido concreto...
Eu admito, eu sei, eu compreendo, não sou idiota. Pisei feio, fiz merda, pisei no degrau errado e torci meu pé. Errei. Errei de uma forma infantil. Não pensei. Já pedi desculpas, desculpas que não eram da boca para fora, porque minha amizade por ti não era de mentira. Pelo menos não da minha parte.
O complicado de processar é que por que o feedback tem que ser catastrófico? Porque sinceramente, não vejo como uma situação do fim do mundo, se pensarmos nos motivos levados ao tal ato. Por que tem que ter indireta?
Será que é assim, ninguém pode te machucar mas você machucar os outros é permitido? Será que é então útil deixar algo que aparentemente tinha valor, pois sim. Pois sim.

Apesar de tudo, entendo. Entendo mesmo. Apesar de tudo, pergunto-me: quem nunca errou? Ser humano é igual a erro. Perfeição não existe. Tentei concertar, não deu. Não sei se nem reconstruindo funcionará.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

De cabeça para baixo

Boa noite,
Estou aqui mais uma vez. Desta vez, eu não vim lamentar, não vim pedir consolo, colo ou pena. Não. Vim, apenas porque senti saudades, porque quis recordar como era tudo tão mais fácil. Contudo, nada está tão difícil assim, só preciso me adaptar.
Certas coisas não são fáceis né? Ah, sim, eu sei... Sou jovem e não tenho experiência alguma, porém, sei também que nada aprenderei se lamentar toda a vez que encontrar um novo obstáculo.
Cansei de sempre ser a coitada, de ser a farta, eu posso sim aguentar o tranco. Eu posso conseguir fazer isso dar certo. Talvez, talvez.. Preciso acreditar em mim.
Apesar de estar confiante e de tentar usar outras lentes de contato, o meu mundo ainda está a girar devagar e pesaroso.
Ô vida dá um tempo?
Cá estamos e cá estaremos ainda girando e girando... Eu cansei das lentes preto e branco, entretanto posso cansar da colorida. Eu estou confiante.. Até que algo me mude de ideia.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fragmentos


(...)De cabelos curtos, pele bronzeada e uma agenda livríssima de problemas maiores que acordar e não tropeçar no chinelo, minha vida desmoronou. Sim, estou sendo mais que dramática, porque o fato ocorrido mudou muito minha vida. Foi algo do destino ou relacione como um meteoro caindo na sua cabeça.
É, eu me apaixonei.(...)

A balança

As pessoas ao redor de mim, em meio dia a dia, estão cada vez mais me assustando. E o pior é que eu já não sei lidar com isso. Difícil de acreditar contudo, a questão paira no ar sem resposta: humanidade, quando será que veremos soluções?
Tudo não passa de pensamentos individuais, egoístas e cheios de inveja. Não basta apenas ser, temos que ter, aparentar. Não podemos argumentar, expor opiniões, somos julgados, somos mal interpretados. Sofremos preconceito. Sim, leia novamente a palavra: preconceito, pré e conceito. Já podemos conhecer antes de abrir a bendita boca? Podemos tomar conhecimento?
Estou indignada e repleta de dúvidas. Mas até aí nada de novo.
Quero saber como se faz para entender. Aperto algum botão? Tem aplicativo para o iPhone ou no Facebook? Será que alguém me compreende?
Na verdade, acredito que não, solenemente. Vivemos assim, tudo dói demais, tudo é demais, tudo exagerado.
Busquem equilíbrio.

Fica a dica

Para quem não se importa em filosofar um pouco e principalmente refletir sobre a vida e suas ações diariamente, aqui está um vídeo que me fez pensar bastante: http://www.youtube.com/watch?v=m-pgHlB8QdQ&feature=related.
Palavras sábias. A utopia nunca é alcançada, ela é uma meta.

Concordam?



terça-feira, 1 de maio de 2012

Carta definitiva

Oi, olá!
Sim, sou eu de novo. Desinformada, confusa e cheia de borboletas lutando fortemente em meu estomago, já tão fraco. Não irei te perguntar como vai, porque eu realmente já não sei se me importo. Meus parabéns, conseguisse fazer brotar em mim a indiferença.
Já faz um tempo, bom, na verdade, não faz.. Só, me explique, ou só me faça acreditar que sou correspondida. Por favor. Estou aqui suplicando. Eu não posso me ver em dúvida, sou insegura, sou mesmo. Infelizmente.
Eu quero acreditar e quero continuar acreditando, quero continuar assim nesse pequeno cenário perfeito que minha mente criou. Mas, só me deixe assim permanecer se for de verdade.
Tente entender? Tentar não custa, não dói...
Direi agora adeus, porque preciso seguir meu rumo, seguir o roteiro que me foi escrito, espero te reencontrar? Todos os dias, em todas as linhas que eu ler, em todas as músicas que eu cantar. Espero poder te ver? Sempre.
Contudo, não me faça chorar.

sábado, 28 de abril de 2012

Marcas


Prólogo

                Desde que eu me conheço por gente tenho uma marca no ombro direito. Um símbolo, um desenho, algo sem sentido, mas que com certeza tinha um passado. Nunca entendi. Seria muito inédito se um dia pudesse dizer a qualquer um que me conheço e me entendo por completo, afinal contos de fadas não existem.
                Conforme cresci e amadureci descobri mais um defeito, ou por muitos, um presente divino. Eu posso ver o futuro, próximo ou daqui a alguns anos, sem restrições nem condições. Tudo é questão de como estou me sentindo ou se estou concentrada o bastante. Eu não posso manipular as visões, facilitando o entendimento, elas se encaixam ao meu emocional e assim eu as vejo.
                Posso sonhar coisas programadas, como atentados e brigas, “combater” o próximo fazendo-o sofrer lembrando dores no passado, lembrando cada parte horrenda esquecida no arquivo principal da mente e o afastar. Bem sobrenatural aos olhos comuns.
                Eu sou Drica. Tenho dezesseis anos. E sou uma marcada.


Fragmento do livro "Marcas", que ainda não consegui terminar.

Monólogos de uma desaviciada

    "Sim, eu sou incorrigível. A batalha pela qual luto não tem final. Nunca terá.
                Considero-me errada, fora dos padrões, rejeitada e depressiva. Vivo nas ruas, o único lugar realmente seguro e silencioso. Minha casa é uma fachada. Minha casa é um hospício. Eu prefiro a rua, sem berros estridentes de uma esquizofrênica viciada em qualquer comprimido de tarja preto ou reclamações de um alcoólatra.
                Pegue seu molde de perfeição e o compare a mim. Ou melhor, não o faça. Posso decepcionar com tamanha diferença.
                Vou à escola. Tenho alguns amigos. Estes tão fodidos quanto eu. O que fazer não é? Tem gente que nasce para morrer. Literalmente. A vocação é divina.
                Desde pequena convivi com a doença de minha mãe. Não sei explicar porque diabos ela tem o que tem. Não sei dizer por que ela de repente berra e alucina. Não sei. Na verdade, não quero saber. Deve ser minha culpa.
                É agonizante ser impotente. Impotente e fraca."

Fragmento de uma narrativa inacabada.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ciclo

Alguém se lembra do tempo em que garotos não passavam de coadjuvantes, na verdade, meros figurantes? Pois bem. Do tempo em que brincar era fácil e não exigia diploma, do tempo em que tarefas se baseavam em colagens, quando correr era junto ao tempo e não contra ele... Queria que a vida me desse chance de voltar atrás.
Mas não dá.
A minha história já começou, meu livro já foi aberto, ele provavelmente está escrito e agora eu o leio por adivinhações. A cada capítulo, eu cresço. Meu capítulo já vai mudar. Um dia, eu lerei o final dele.