Por trás da janela
entreaberta, por trás da parede vermelha descascada, por trás de cortinas mal
lavadas, ela se escondia. Ela desejava poder sair, contudo tinha medo das
verdades. Já tão acostumada a mentiras, bem ou mal contadas.
Nunca trocava de roupa. Nunca sorria.
Parecia carregar um fardo em suas costas magras. Parecia machucada, sofrida. Com
dor, relutante em fazer um barulho que a entregasse.
Eu não ousaria me aproximar. Talvez,
porque quisesse ajudá-la e não aceitaria um breve não em resposta. Ela giraria
seu corpo curvado, andaria para trás e balançaria a cabeça em negativa. Ela se
recusaria ser tocada, se recusaria ir embora. Ela não contaria nada.
Havia algum segredo. Havia um
pesadelo? Pobre garota magrela. Triste possível fim. Quisera eu pegar na mão dela
e dizer: esqueça. Ela me responderia com os olhos. Com a alma. E de alguma
forma, eu saberia a resposta: “isso é importante demais para ser colocado de
lado”.
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