Ela seguia seus sonhos, de uma
forma ou outra. Apesar do seu jeito descabelado, desdenhado, tinha lealdade.
Os ângulos eram anormais. Seu transferidor
tinha vida própria. Ela enxergava como queria. Inventava, se necessário. Havia muita
vida em batalha dentro de si. Ela carregava em seus ombros estreitos,
sentimentos divergentes. Ignorava-os. Sempre quando possível.
Algumas palavras não me ajudarão
a contar esta historia. Infelizmente, ela tem um “quê” desgovernado. Posso ser
pontual, porem não seria verídica.
Este personagem, ainda chamado
Ela gostava de sentir frio. Usava dia e noite uma capa de chuva, chamava-a de
armadura. A gota não a feriria, contudo ela esperava o pior de tudo e todos.
Levava consigo uma caderneta e
um lápis sem ponta. Provavelmente, nunca o apontara. Caso escrevesse, pediria a
alguém emprestado. Se fosse questionada sobre seu lápis despontado, diria
automaticamente:
- Inútil despontado. Eternamente
não utilizado.
Era comum deixar a todos
perplexos. Na verdade, era até cômico. Suas atitudes peculiares eram quase
programadas, entretanto eu não ousaria chamá-la de falsa.
Seus cabelos longos,
descuidados e cor de burro quando foge. Seus olhos verde musgo. Sua essência de
baunilha. Talvez, certo cheiro de cigarro. Cruel vida de fumante passivo.
Ela tinha tanto a ser
descoberto. Não frequentava nada. Escola ou qualquer coisa que a levasse a ter
rotina. Vagava. Vagava com a capa de chuva e caderneta. Lápis sem ponta e passo
dançante.
Queria saber aonde ela
chegaria. Entretanto, perdi as contas de tanto que tentei decifrá-la. Queria perguntá-la.
Queria abordá-la. Grande interrogação. Grande confusão.
Ela seguia seus sonhos. De forma
irregular, ingênua e perspicaz. Ela apenas seguia seu caminho, entre estradas
sem fim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário