domingo, 5 de agosto de 2012

Ela


Ela seguia seus sonhos, de uma forma ou outra. Apesar do seu jeito descabelado, desdenhado, tinha lealdade.
Os ângulos eram anormais. Seu transferidor tinha vida própria. Ela enxergava como queria. Inventava, se necessário. Havia muita vida em batalha dentro de si. Ela carregava em seus ombros estreitos, sentimentos divergentes. Ignorava-os. Sempre quando possível.
Algumas palavras não me ajudarão a contar esta historia. Infelizmente, ela tem um “quê” desgovernado. Posso ser pontual, porem não seria verídica.
Este personagem, ainda chamado Ela gostava de sentir frio. Usava dia e noite uma capa de chuva, chamava-a de armadura. A gota não a feriria, contudo ela esperava o pior de tudo e todos.
Levava consigo uma caderneta e um lápis sem ponta. Provavelmente, nunca o apontara. Caso escrevesse, pediria a alguém emprestado. Se fosse questionada sobre seu lápis despontado, diria automaticamente:
- Inútil despontado. Eternamente não utilizado.
Era comum deixar a todos perplexos. Na verdade, era até cômico. Suas atitudes peculiares eram quase programadas, entretanto eu não ousaria chamá-la de falsa.
Seus cabelos longos, descuidados e cor de burro quando foge. Seus olhos verde musgo. Sua essência de baunilha. Talvez, certo cheiro de cigarro. Cruel vida de fumante passivo.
Ela tinha tanto a ser descoberto. Não frequentava nada. Escola ou qualquer coisa que a levasse a ter rotina. Vagava. Vagava com a capa de chuva e caderneta. Lápis sem ponta e passo dançante.
Queria saber aonde ela chegaria. Entretanto, perdi as contas de tanto que tentei decifrá-la. Queria perguntá-la. Queria abordá-la. Grande interrogação. Grande confusão.
Ela seguia seus sonhos. De forma irregular, ingênua e perspicaz. Ela apenas seguia seu caminho, entre estradas sem fim.


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