Acho que o frio congelou minha
vida. Acredito que com seus ventos cortantes que queimam meu nariz, o inverno
só queira me machucar ou ensinar uma lição. Uma lição dessas baratas, porém
ainda desconhecida.
Vago pela casa. De quarto em
quarto. Indecisa por demais. Nada me aconchega, bom, nada por completo. Parece-me
que o inverno só quer me confundir. Canso-me. Quatro longos meses.
O frio dói em meus ossos. Pensamentos
em formas de cubo de gelo. Abro a torneira para deixar a água limpar vestígios de
insônia, a água fere. Mesmo sem ter a intenção. A água perfura meu rosto já tão
sensível.
Sento-me e trato de me distrair
lendo algum romance frívolo o bastante para me fazer sorrir e sonhar e não chorar
e refletir. De vez em quando a inutilidade nos alimenta por incrível que
pareça. Ela nos abstrai para um cenário perfeito.
Por fim, gasto meus últimos minutos
escrevendo. Minha mão dói. A caneta trava. A caneta é pesada. Pelo menos eu
escrevo. Faço de minhas palavras algo mais do que uma bagunça aleatória, é uma
bagunça organizada. Ao meu modo, naturalmente.
Já é de noite. Novamente. Já é
frio o suficiente para eu sequer respirar normalmente. Minha letra já não sai
desenhada, é um rabisco rápido. Rabisco cruel. Perco a forma, perco o fio da
meada. Mera escrita banalizada. Mero texto sem final concretizado.
De qualquer forma... Bom,
tanto faz.
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