domingo, 15 de julho de 2012

Inverno


Acho que o frio congelou minha vida. Acredito que com seus ventos cortantes que queimam meu nariz, o inverno só queira me machucar ou ensinar uma lição. Uma lição dessas baratas, porém ainda desconhecida.
Vago pela casa. De quarto em quarto. Indecisa por demais. Nada me aconchega, bom, nada por completo. Parece-me que o inverno só quer me confundir. Canso-me. Quatro longos meses.
O frio dói em meus ossos. Pensamentos em formas de cubo de gelo. Abro a torneira para deixar a água limpar vestígios de insônia, a água fere. Mesmo sem ter a intenção. A água perfura meu rosto já tão sensível.
Sento-me e trato de me distrair lendo algum romance frívolo o bastante para me fazer sorrir e sonhar e não chorar e refletir. De vez em quando a inutilidade nos alimenta por incrível que pareça. Ela nos abstrai para um cenário perfeito.
Por fim, gasto meus últimos minutos escrevendo. Minha mão dói. A caneta trava. A caneta é pesada. Pelo menos eu escrevo. Faço de minhas palavras algo mais do que uma bagunça aleatória, é uma bagunça organizada. Ao meu modo, naturalmente.
Já é de noite. Novamente. Já é frio o suficiente para eu sequer respirar normalmente. Minha letra já não sai desenhada, é um rabisco rápido. Rabisco cruel. Perco a forma, perco o fio da meada. Mera escrita banalizada. Mero texto sem final concretizado.
De qualquer forma... Bom, tanto faz. 

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