"Sim, eu sou incorrigível. A
batalha pela qual luto não tem final. Nunca terá.
Considero-me
errada, fora dos padrões, rejeitada e depressiva. Vivo nas ruas, o único lugar
realmente seguro e silencioso. Minha casa é uma fachada. Minha casa é um
hospício. Eu prefiro a rua, sem berros estridentes de uma esquizofrênica
viciada em qualquer comprimido de tarja preto ou reclamações de um alcoólatra.
Pegue
seu molde de perfeição e o compare a mim. Ou melhor, não o faça. Posso
decepcionar com tamanha diferença.
Vou
à escola. Tenho alguns amigos. Estes tão fodidos quanto eu. O que fazer não é?
Tem gente que nasce para morrer. Literalmente. A vocação é divina.
Desde
pequena convivi com a doença de minha mãe. Não sei explicar porque diabos ela
tem o que tem. Não sei dizer por que ela de repente berra e alucina. Não sei.
Na verdade, não quero saber. Deve ser minha culpa.
É
agonizante ser impotente. Impotente e fraca."
Fragmento de uma narrativa inacabada.
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