sábado, 28 de abril de 2012

Monólogos de uma desaviciada

    "Sim, eu sou incorrigível. A batalha pela qual luto não tem final. Nunca terá.
                Considero-me errada, fora dos padrões, rejeitada e depressiva. Vivo nas ruas, o único lugar realmente seguro e silencioso. Minha casa é uma fachada. Minha casa é um hospício. Eu prefiro a rua, sem berros estridentes de uma esquizofrênica viciada em qualquer comprimido de tarja preto ou reclamações de um alcoólatra.
                Pegue seu molde de perfeição e o compare a mim. Ou melhor, não o faça. Posso decepcionar com tamanha diferença.
                Vou à escola. Tenho alguns amigos. Estes tão fodidos quanto eu. O que fazer não é? Tem gente que nasce para morrer. Literalmente. A vocação é divina.
                Desde pequena convivi com a doença de minha mãe. Não sei explicar porque diabos ela tem o que tem. Não sei dizer por que ela de repente berra e alucina. Não sei. Na verdade, não quero saber. Deve ser minha culpa.
                É agonizante ser impotente. Impotente e fraca."

Fragmento de uma narrativa inacabada.

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