sábado, 30 de junho de 2012

Palavras

Há palavras em todo o canto que se olha. Direita. Esquerda. Cima. Embaixo. Há palavras ao redor. Palavras que gritam, choram, gargalham, suplicam, cantam, sorriem, cuidam... Palavras. Palavras minhas e suas, deles e delas. Nossas.
Palavras que sozinhas não são nada, mas combinadas se tornam muito. Outras que são perfeitas sozinhas, criando sua própria sinfonia. Aleatórias. Palavras.
O mundo sem sua participação seria tão monótono. Seria tão cinzento. Palavras colorem a cada dia, formam longos romances, histórias e crônicas. Narrativas de suspense, dissertações argumentativas. Palavras são perfeitas. Palavras e palavras.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sábados

     Sim, a noite é fria, silenciosa e um pouco cruel. Apesar de silenciosa, simultaneamente eu posso escutar a televisão e carros na rua ao fundo. O silêncio engloba mais do que apenas o silêncio.
     A casa está uma bagunça. A noite fora agradável. A noite fora memorável. Ah, noite!
     Estou recostada no sofá da sala. A casa dorme pesadamente, enquanto eu gasto meus últimos momentos de lucidez. Antes que meu cansaço vença minha resistência. Meus olhos já fecham sozinhos e independentes. Perdi.
     Reflito sobre a grande e variada salada de pensamentos, os quais estão bem misturados. Minha mente viaja. Abstrai. Chego a conclusão alguma. Chego a lugar nenhum.
     Já são altas horas da madrugada. Que horas são? Quebro a ponta do meu lápis. Quebro meu raciocínio. Ainda persisto em alguns rabiscos que jamais saberei decifrar. Nada sai. Nada. Estou vazia.
     Ah, noite! Ah... Boa noite.
Petom
Motep
Mepto
Tempo

Grace

     Bem vindos à patética vida de Grace. Não Grace Kelly ou Greiciellen (nada de faxineira, por favor... Mas também nada contra, sejamos abertos ao mundo de nomes e derivações), apenas Grace. Pergunto-me se o nome é para ser associado com a palavra "graça"... Reflitemos.
     Até parece que meu nome peculiar e imprevisível falaria mais de mim, do que eu mesma. Apesar de ser original em certos pontos, sou nada mais nada menos que um iogurte a temperatura ambiente, como Margaret Walsh, no romance "Los Angeles". Marian Keyes - a escritora - foi perfeita na descrição da personagem. Enfim.
     Sou batalhadora mas, nem tanto. Educada, porém teste minha paciência para ver... Decente e que leva uma vida transparente e agradável. Ao que se pode ver, eu pareço ter trinta e poucos anos, experiente e cheia de jogo de cintura, entretanto eu não tenho não.
     Na verdade, acredito fielmente que minha alma fora envelhecida assim que nasci. Muito cômico. (...)
   

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Montanha russa

Bem, lá vamos nós de novo. E mais uma vez... Para baixo e para cima, de cabeça para baixo, 360 graus e afins. Lá vamos, lá vamos.. Já fomos e estamos.
Sentimentos oblíquos. Sentimentos apenas. Sentimentos são muito complexos e estão sempre preparados para nos surpreender, infelizmente nós nunca estamos prontos para eles. Não dá.
Sentimentos, vão arranjar alguém para incomodar?
Não é o suficiente usar o cinto de segurança. Bom, na verdade, é. Ou talvez...
Veja meu problema de me expressar.
(?)

“Como em um piscar de olhos, tudo está de cabeça para baixo. Desesperadamente perdida e sem liberdade.
         As palavras parecem estar presas na minha garganta. A minha coragem é fraca e paranóica. Quem entenderia?
         Minha esperança está se despedaçando, minha vida é apenas uma mera coadjuvante e eu já nem sei por que continuo aqui.
         Ou está tudo parado ou está tudo borrado, mas eu continuo de mãos atadas”

terça-feira, 19 de junho de 2012

Século 21

Tempo. Temp. Tem. Te. T.
Correria. Corre. Corr. Cor. Co. C.
Tudo se passa em um piscar de olhos.

Frações de segundos.
Deu. Já passou. Já é o amanhã.
Século da globalização. Do tique-taque.
Do cronômetro. O alarme irá tocar.

A bomba vai estourar.
Bang! Bumb! CABUM!
Maldito século vinte e um... Maldito!

Tempo. Temp. Tem. Te. T.

domingo, 10 de junho de 2012

Monólogos

E então?
Como vão?
Estou mais uma vez a digitar freneticamente. Digitando. Digito sem saber onde vou chegar. Não faz diferença. Só saberemos quando chegarmos. E se chegarmos...
Gasto meu tempo, o qual escorre pelas minhas mãos. Minhas mãos estão frias, ansiosas. Não vejo novidade, nunca mais. Gasto meu tempo. Tempo meu. Tenho um tempo?
Não, não. Não há tempo. Se houvesse, se fosse meu.. Ah, mas que sonho! Mas que paraíso... Tempo, onde se encontra?
Enquanto gasto "meu" tempo procurando meu tempo, se é que existe sentido em minhas palavras oblíquas, fique. Fique. Me espere.
Pare o tempo. Pare.
Estou confusa. Sou confusa. Não há sentido, nem tempo e nada mais. Fim. Há, há sempre um fim.




sábado, 9 de junho de 2012

Irmão de alma


Ele me recebeu usando cachecol preto. Seus olhos estavam ainda mais verdes. Como se fosse possível. Sua barba moldurava seu rosto. Algo ali estava escondido. Algo. Havia interrogações que brilhavam, entretanto eu não sabia como ajudá-lo. Não sabia respondê-las.
O ambiente era reconfortante. Os discos na parede da sala de jantar deixava o apartamento mais original.
De braços cruzados ele me ouvia tagarelar. Tagarelava demasiadamente, mesmo tendo passado o dia de cama. Ele analisava-me calculadamente. Passava a mão pelo queixo, de onde brotava pelos rebeldes, da barba por fazer. Ele tinha a outra mão no bolso.
Eu estava sentada em um banco alto de madeira, o qual estava bambo e frágil. Ele provocava:
- Vais cair! – abrindo os olhos com força, como se estivesse dando ênfase.
- Não vou. – eu respondia contrariando.
Era muito fácil passar horas com ele. Era muito fácil acabar rindo por nada muito concreto. Era fácil o ver e sorrir involuntariamente. Ele ria de minhas tempestades em copo da água. Eu ria do jeito que ele dançava. Principalmente quando bebia mais do que o necessário. Riamos.
Apesar de ter um belo sorriso, seus olhos verdes, injetados e curiosos guardavam pensamentos diversos, aleatórios, incomodados. Talvez, deprimidos. Nada podia consolá-lo. Sentia-me impotente, uma vez ou outra.
Seu jeito de lidar com tudo, lhe era característico. Seu jeito era seu e apenas.
Era muito fácil conviver com ele, pelo menos eu achava. Contudo, o que sou eu, se não apenas uma amiga de passagem? Sempre a correr?
Havia mais do que amizade, porém havia menos, bem menos do que paixão. Havia cumplicidade. Havia uma conexão que às vezes, eu me perguntava como era possível. Mas, certas perguntas não possuem respostas.
Era bom ouvir sua voz. Espero que ela ainda soe por esses ares, rádios, televisão. Há muito para ser escrito. Há muito.
Lembro-me de como nos conhecemos, eu dizia para ele ter cuidado. Da ultima vez que nós vimos, ele me disse o mesmo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Aleatórios


Nunca me importei com os estereótipos. Por que o faria? Como sempre o rótulo vencedor seria idealizado pela mídia, pelos corruptos por trás da mesma. A imagem fora banalizada de uns tempos para cá. Porém, apesar de ouvirmos reclamações, ninguém se impõe. Ninguém usa a voz.
Antes que você comece a me julgar como uma revolucionária fracassada, sejamos amigáveis e simpáticos e nos apresentemos você, leitor e eu autora descontrolada. Muito prazer.
Serei pratica. Não pretendo contar todos os detalhes de minha vida, até porque acho que eu seria extremamente monótona. Ou não. Desde pequena minha mãe me dizia o quão único todos somos.
Devemos sempre concordar com o que nossa mãe nos diz. Mesmo que relutantemente. Elas acabam sempre tendo razão no que falam. É incrível. Como elas têm esse poder? Convenhamos, se eu tivesse essa experiência “maternal” sem precisar ser mãe, logicamente, eu seria para todo o sempre feliz. Mas, infelizmente todos nós fomos, somos e seremos castigados pelo famoso “eu te avisei”. Não adianta fugir.(...)

Um diário para chamar de meu


Nesses momentos, entre a aula de química orgânica e matemática, encontro-me aqui refletindo. Refletindo sobre tudo. Solucionando absolutamente nada. Minha mente está em blackout possuído e hipnotizante. Minha mente está ancorada, fortemente resistindo.
                Se iremos analisar meu comportamento, recomendo um divã, recomendo um psicólogo. Se nós vamos discutir se erro, que chame o juiz, vamos lá...
                Nesses momentos, os quais são nublados e cinzentos, apesar do belo dia que lá fora se inicia. Gasto meu grafite escrevendo e tentando fracamente dispersar quaisquer pensamentos incomuns.
                Deveria já me apresentar? Acredito que até as últimas páginas, me odiará. A insegurança nos domina. Domina-me. Possui-me.
                Leia meus pensamentos, os quais escondidos estão entrelinhas, de alguma forma. Boa sorte. Paciência. Não posso facilitar para você, preciso manter a armadura. Eu já fui um livro aberto, cheio de rasuras e observações, grifado nas partes importantes. Porém, cansei. Criei em volta de mim proteção. Difícil se manter intacta, quando todos a sua volta podem te ferir, mesmo sem querer.
                Estou aqui a polir minha armadura de ferro, minha nova e bela amiga. Estou aqui prestes a tagarelar.