Ele amava escrever. Escrevia mesmo
quando não deveria. Quando deveria, por exemplo, estudar. Quando devia publicar
seus textos. Porém, não. E para quê? Escrevia para si, ao contrario de mim,
pseudo-escritora. Necessito de opiniões de terceiros para seguir feliz.
Ele tinha um amplo e muitas
vezes ultrapassado vocabulário, assim como seu estilo de vida peculiar. Tinha mania
de muitas coisas. Andava sempre usando tons pastel. Levando consigo uma
caderneta, uma caneta. Um chapéu panamá.
Ninguém o compreendia. Pergunto-me
se ele sabia se compreender, acredito que não. Ninguém se compreende, não por
completo. Somos seres humanos incapazes de saber de si, mas muito bem
condicionados de falar e conhecer tudo sobre os outros. Triste fim.
Não se importava em andar sozinho
pelos corredores, não se importava de ser sincero. Sabia que reclamavam de seu
jeito, porém não tinha tempo para se importar. Estaria muito ocupado escrevendo
algum poema indecifrável para mentes pequenas.
Bem vindos ao mundo de
seguidores literários.
Havia seus três jeitos, havia
muita coisa que jamais fora escrita. Havia amor. Havia pessimismo. Havia decepção.
Havia muito. E simultaneamente pouco. Seu coração partido ou não, não sei
dizer, estava à procura de calmaria. De alguém.
Que ele ache a então dama que
tanto procure. Que ele consiga a levar para o sul da França. Que seja verão o
ano todo. Que tenha flores na primavera. Que anoiteça sem que ninguém parta em
um carro importado, com outro alguém.