sábado, 28 de abril de 2012

Marcas


Prólogo

                Desde que eu me conheço por gente tenho uma marca no ombro direito. Um símbolo, um desenho, algo sem sentido, mas que com certeza tinha um passado. Nunca entendi. Seria muito inédito se um dia pudesse dizer a qualquer um que me conheço e me entendo por completo, afinal contos de fadas não existem.
                Conforme cresci e amadureci descobri mais um defeito, ou por muitos, um presente divino. Eu posso ver o futuro, próximo ou daqui a alguns anos, sem restrições nem condições. Tudo é questão de como estou me sentindo ou se estou concentrada o bastante. Eu não posso manipular as visões, facilitando o entendimento, elas se encaixam ao meu emocional e assim eu as vejo.
                Posso sonhar coisas programadas, como atentados e brigas, “combater” o próximo fazendo-o sofrer lembrando dores no passado, lembrando cada parte horrenda esquecida no arquivo principal da mente e o afastar. Bem sobrenatural aos olhos comuns.
                Eu sou Drica. Tenho dezesseis anos. E sou uma marcada.


Fragmento do livro "Marcas", que ainda não consegui terminar.

Monólogos de uma desaviciada

    "Sim, eu sou incorrigível. A batalha pela qual luto não tem final. Nunca terá.
                Considero-me errada, fora dos padrões, rejeitada e depressiva. Vivo nas ruas, o único lugar realmente seguro e silencioso. Minha casa é uma fachada. Minha casa é um hospício. Eu prefiro a rua, sem berros estridentes de uma esquizofrênica viciada em qualquer comprimido de tarja preto ou reclamações de um alcoólatra.
                Pegue seu molde de perfeição e o compare a mim. Ou melhor, não o faça. Posso decepcionar com tamanha diferença.
                Vou à escola. Tenho alguns amigos. Estes tão fodidos quanto eu. O que fazer não é? Tem gente que nasce para morrer. Literalmente. A vocação é divina.
                Desde pequena convivi com a doença de minha mãe. Não sei explicar porque diabos ela tem o que tem. Não sei dizer por que ela de repente berra e alucina. Não sei. Na verdade, não quero saber. Deve ser minha culpa.
                É agonizante ser impotente. Impotente e fraca."

Fragmento de uma narrativa inacabada.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ciclo

Alguém se lembra do tempo em que garotos não passavam de coadjuvantes, na verdade, meros figurantes? Pois bem. Do tempo em que brincar era fácil e não exigia diploma, do tempo em que tarefas se baseavam em colagens, quando correr era junto ao tempo e não contra ele... Queria que a vida me desse chance de voltar atrás.
Mas não dá.
A minha história já começou, meu livro já foi aberto, ele provavelmente está escrito e agora eu o leio por adivinhações. A cada capítulo, eu cresço. Meu capítulo já vai mudar. Um dia, eu lerei o final dele.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Carta Para Corações

Caro coração desgovernado,
Gostaria de lhe avisar que estou bem, sim, apesar de suas armadilhas. Gostaria de deixar claro que apesar de ter caído e quebrado uns pedaços de mim, eu consegui voltar a caminhar. Sinto muito se te causei estragos. Sinto muito se te decepcionei, não é o primeiro, tampouco o último.
Coração? Coração?
Gostaria de pedir que tente se controlar, não saia pela boca, que fique em meu peito e que não martele forte, tão forte que chegue a martelar em meu ouvido. Por favor, tente não me confundir, porque sinceramente tenho medo.
Coração.. Quem me dera controlar esses seus atos impensáveis e surpreendentes? Talvez eu me arrependesse, contudo, talvez não me machucasse tanto.
Meus joelhos já estão fracos de cair no chão, há hematomas para todos os lados e todos os ângulos. Cicatrizes ficaram e isso eu já me acostumei, eu não quero ter que me acostumar com novas. Já deu. Me decidi.
Coração, me largue aqui sozinha enquanto há tempo de se salvar, eu não quero ter que te arrancar.

Infância?

Queria sinceramente conseguir ter a facilidade de me expressar. Eu consigo quase sempre passar para as palavras meus sentimentos mais confusos, mais aleatórios. Infelizmente, não os passo para a fala. Ou talvez o faça, ou talvez.. Que nó!
Meu discurso deveria começar agora, bem elaborado e definitivo, sem deixar pontas para serem cortadas ou "is" para serem pingados. Contudo, não. Mais fácil ficar enrolando, mais fácil me enrolar. Já estou enrolada por completo, não?
Pensamentos demais, uma boca só, ansiedade crônica, será que não rola esperar? Será que mesmo tentando minha boca fechada nunca ficará?

Queria voltar a ser criança.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Você, você, você: por trás dessa repetição aparentemente patética, há mais que apenas um significado.

Eu

Para quem devo dirigir minhas palmas de indignação? Porque sinceramente, já cansei desse jogo da vida. Cansei mesmo. De repente, meus sentimentos são um turbilhão, cheios de fagulhas estressadas a ponto de uma grande explosão. De repente, tudo está calmo, como o mar no início da manhã.. Chega dessa montanha-russa irregular!
Não quero saber de palavras bem intencionadas, desculpe-me mas elas não irão mudar absolutamente nada. Quero que me aceitem. Por que tão difícil? Quero chorar quando quiser, sim. O que há de tão errado?
Lágrimas rolam meu rosto abaixo, lágrimas secam em meu rosto e enfim...
(Suspiro)
Talvez eu devesse aprender a lidar comigo mesma, talvez eu seja uma aberração, bom, bem-vindos ao meu mundo e sim, ele está repleto de imperfeição.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Quinto Livro"


“Ah cara! Será possível que eu jamais vou conseguir terminar alguma coisa?”, bom, esta frase representa exatamente o que eu sinto nesse exato momento. Esse misto de vontade e simultaneamente falta de empenho é tão típico que chega a ser irritante. Deixa-me totalmente imponente e despreparada.
Bem vindos a minha monótona vida. Bom, nem tão monótona assim, afinal estou no ultimo ano do ensino médio e só para variar terei que estudar – porém, desta vez será de verdade – para decidir o que farei pelo resto da minha vida. Talvez, pelo resto da vida soe meio intenso e eterno. Ficou claro, não?[...]



Fragmento de um possível-futuro livro. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Comparação

Existe perfeição? Existe? Respondam-me. Preciso de certezas. Já não basta saber que a raiz quadrada de 169 é 13, não me é útil. Amor é como matemática.
Exato, preciso, quando bem executado.

Pausa

Demorou, demorou muito porém, cá finalmente está a pausa. Creio que dá para respirar, inspirar e expirar quantas vezes for necessário, levantar os pés e não fazer absolutamente nada.
Os patins usados até agora freneticamente estão ao lado da ansiedade que mais a frente voltarei a usar. Por enquanto, fico de meias, quanto mais devagar melhor.
Quase parando? Perfeito.
Um dia, muito em breve eu saberei que foi uma fase de adaptação. Um dia, um dia após a pausa desse meu dia a dia.

domingo, 1 de abril de 2012

Antes/Depois

Como será que você consegue manter essa armadura? Essa atitude de menina atirada e sempre cheia de respostas? Queria tentar decifrar o que se passa em sua cabeça bipolar, porque com certeza não basta apenas entender.
Seria mais fácil se as atitudes tomadas fossem menos desesperadas, o nível das palavras menos baixo, há tanto que você precisa aprender e crescer.
Contudo, não sou sua mãe ou algo do gênero, me incomoda apenas ver o seu antes e depois, o que é uma pena, te considerava uma irmã menor...