sábado, 16 de novembro de 2013

Dois pães

Eu me conservo na água dos aquários...
Limpidez de desjejuns absolutos, uma hóstia seca e adormecida,
Lamber os beiços com salivas
e soluçar os soluços com lamentos...

E pensar que na minha oração não cabe mais água...
Passar a seco, me escorar, paga-se pecados
Belos pesadelos e sujos
Aquela crosta amaldiçoada

Rastros sólidos e equidistantes do som,
Aparições de lama, não-barro cuspido...
Evasão dos alucinados,
Noite quente e suada pela parede dos santos.

Limpo meus joelhos do castigo inconstante,
Encho-me de lágrimas mas...
Noite quente e abafada pela parede de reza.
Teu eu, meu Senhor!, suplico, esperneio e pago

O dízimo dos meus pecados.

(Por Carlos Eduardo e Isabel Helena)

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