quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ciclo

Abra a torneira emperrada
Abra a boca, não diga nada
Água fria, quente, morna
Água pura, suja e torta

Pingos aqui e acolá
Pingos não irão me machucar
A janela aberta está

Pegue a toalha úmida
Estique o braço, leve a sua
Felpuda, grossa ou indiferente
Toalha minha, tua e de tanta gente

Pingos acolá e aqui
Pingos nada são para mim
A janela está aqui

Feche-a, venha para dentro
Agradeça e não faça movimento
Adeus, até logo, tchau
Já disse, acabou, é o final

Na hora do "rush"

As lentes dos óculos transparentes
Escuras ficam, nubladas e toscas.
Meus olhos já cansados suspiram
Obtusos ficam, fechados e loucos.

O batucar dos dedos na mesa,
O barulho do relógio de pulso,
As buzinas já soam tão alto.
Nem ainda são seis da tarde.

O sorriso aberto que levo no rosto
Espontâneo fica, falso e amarelo.
Minha boca arrenegada se alerta
Um bico fica, nada quero.

O barulho dos saltos no corredor,
As risadas nervosas da sala,
Freadas de carro bruscas,
Nem ainda são seis da tarde...



sábado, 1 de setembro de 2012

Reticências Íntimas

Tudo parece estar dando errado
Nada que se encaixava, se encaixa
Agora. Tudo corre tão rápido,
Tão de repente.

O espelho mente.
O espelho distorce.
O sorriso é falso.
E certeira, a morte.

Os dias passam singulares
São eles sujos, nublados.
A rotina se perde em meio
Às minhas mãos. Já não sou capaz.

Sinto-me presa.
Exatamente na mesma.
Os círculos diminuem,
O ar falta-me.

Síndrome do pânico,
Síndrome do medo.

Hipocondríaca,
Mal e mal, até que bem.
Psicótica e alucinada,
Mal e mal, até que péssima.

Humano

Somos todos iludidos
Somos chatos, pertinentes
Somos perdidos

Estamos todos enroscados
Estamos depressivos e neuróticos
Estamos todos enrolados

Não que não possamos mudar
Apenas não sabemos aceitar
Malditos
Benditos
Ilusões enrascadas
Opções lascadas

27/08/2012