quinta-feira, 22 de março de 2012

Medianamente Perfeito


Eu me lembro do dia em que prometi o para sempre. Me lembro que apesar de estar quase vomitando e ter problemas sérios de ansiedade, a minha alegria era de contagiar a todos. E quando digo todos, eu quero dizer todos. Até os mais infelizes, até mesmo os mendigos, ou os pobres executivos.
         Meu vestido era marfim, todo de seda, ele se encaixava perfeitamente no meu corpo não tão magro, veja bem eu já não tinha mais vinte três anos, estava a beira dos trinta. Em fase depressiva. Foi um milagre ter encontrado alguém certo.
         Pode soar meio complexo, mas não é. Eu só nunca me envolvi com o cara certo, sempre era alto demais, baixo demais, magro demais, burro demais ou principalmente, alcoólatra demais. Entretanto eu o encontrei.
         Foi no começo da primavera, nós trabalhávamos no mesmo edifício e mantínhamos a mesma mania de sair para almoçar no horário em que todos já estão voltando. Gostávamos de não encontrar filas, de não escutar aquele berreiro e a falação, apenas a paz era bem vinda.
         Naquele dia eu tinha passado por uma reunião desgastante o suficiente para eu precisar de não só três como cinco expressos. Sai do escritório de contabilidade e peguei o elevador. Na segunda parada, ele entrou. Altura mediana, olhos castanhos, nariz pouco avantajado, lábios carnudos mas não tanto, bem de vida mas não rico, simplesmente o cara na medida certa, na média.
         Nossos carros ficavam no mesmo estacionamento, o que significa que ficamos por ultimo no elevador, uma vez que este (bendito seja) estacionamento fique no subsolo.
         Estava entretida mandando mensagens pelo meu celular novo quando ele tocou o meu braço de leve. Eu absorta e desajeitada, pulei e o encarei com uma careta. Neste momento mágico, ele me convidou por livre e espontânea vontade para almoçarmos juntos e eu (ainda assustada) assenti.
         Bom, pode não parecer exatamente coerente, mas essas histórias de amor a primeira vista realmente acontecem. Com ele foi assim. Comigo, não exatamente. Tive que sair com ele, algumas centenas de vezes para aos poucos me apaixonar.
         E é assim, na verdade, mais ou menos assim que eu fui parar em um vestido branco – depois de semanas de dieta séria -, cabelos ondulados, rosto maquiado, unhas feitas e tudo que tinha direito. É assim também que eu conheci o cara mediano o bastante para mim, outra mediana.
         Atualmente, nós vamos trabalhar juntos, colocamos o carro no subsolo e almoçamos no horário em que restaurantes e shoppings estão vazios. Temos uma filha que é fruto de uma lua de mel na Holanda, moramos em um bairro médio e vivemos assim nossa vida medianamente perfeita.
                 


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