Foi-se o tempo em que ela podia apagar da memória tudo que a fazia estremecer. A memória dela hoje tem problema. Não consegue mais apagar, como se segurassem suas mãos enquanto ela se debate contra a pressão.
Um grande suplício a amedronta. Dia após dia, o cansaço a ganha. Pesam vinte quilos cada pálpebra. A cabeça lateja. Dói. A paciência não existe. A cada centímetro algo desestabiliza. A perca do equilíbrio é iminente. Como andar em uma linha bamba. No chão, nunca de pé.
Chamam de pessimismo, chamo de realidade. Dela e somente. Quem entenderia? Os momentos tão íntimos quanto seus pensamentos, os quais são particularmente impróprios e confusos. Digo isso, pois calculei e decifrei códigos. Gastei minutos de sensatez.
Contudo, nada se desfaz. A cacofonia é uma dádiva. Vive lado a lado, assombra a vida de todas. A minha e a dela. A nossa. A sua e de todos. Uma miscelânea de is sem pontos. Rabisco, rasura e resenhas jogadas em bolas pela sala.
Ela, a garota sem memória bate suas pernas ao ar. Ela coça a cabeça. Desesperada. Ela e ela. Nada pode salvá-la senão ela própria. Enquanto isso, só observaremos. Irei descobrir incógnitas e farei meu melhor para confortá-la, embora precise me focar tanto quanto ela própria.
Ou será que ela própria não seria eu?
domingo, 7 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
Faxina
Empoeirado o chão está
Cheio de fiapos
Levo minha vassoura lá e cá
Uso apenas trapos
Vaidade esquecida
Olheiras ressentidas
Espirro
Suspiro
Quilos a menos
Eu nada temo
Arranco meus fiapos
Cabelos ao chão estão
Queimo meus trapos
Congelo o coração
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Nó de escoteiros
Não sentem nada.
Adormecidos na própria dormência.
Estão flutuando entre o zero e o infinito.
Nada se altera.
Coração bate. Inspira e expira.
Impassível.
Piadas sem sal,
romances sem mel.
Tanto faz.
Eles não sentem.
Eles se retorcem na cama.
Eles puxam os cabelos,
limpam o rosto inchado.
O lábio treme. Eles sentem medo,
medo eles tem. Estão no auge...
A bolha anda intocada.
A bolha parece-me confortável.
A bolha pertence a eles.
Assim, ó! Assim fácil.
Revoltados com sentimentos convergentes.
Um nó cria-se.
Nó de escoteiro: infalível.
Adormecidos na própria dormência.
Estão flutuando entre o zero e o infinito.
Nada se altera.
Coração bate. Inspira e expira.
Impassível.
Piadas sem sal,
romances sem mel.
Tanto faz.
Eles não sentem.
Eles se retorcem na cama.
Eles puxam os cabelos,
limpam o rosto inchado.
O lábio treme. Eles sentem medo,
medo eles tem. Estão no auge...
A bolha anda intocada.
A bolha parece-me confortável.
A bolha pertence a eles.
Assim, ó! Assim fácil.
Revoltados com sentimentos convergentes.
Um nó cria-se.
Nó de escoteiro: infalível.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Gotas
Lágrimas;
Flip flop,
Flop flip.
Elas caiem.
Tudo gira,
Gira e para.
Lágrimas,
Flip flop.
A poça se cria,
Escorregam.
Inunda a alma,
Nada enxergam.
Lágrimas;
Flip flop,
Flop flip.
Caíram.
Caiem...
Sobre mim.
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